O Sindicato dos Policiais Civis do Estado do Rio de Janeiro (SINDPOL-RJ) manifesta seu mais veemente repúdio às infelizes e irresponsáveis declarações proferidas pelo Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, na última quarta-feira (10/06). Ao anunciar um projeto para devolução de celulares roubados e sugerir que a entrega ocorra nas agências dos Correios em vez de nas delegacias, o chefe do Executivo justificou a medida afirmando que a população teria medo do “tipo de delegado” ou do “tipo de policial” que encontraria nesses recintos.
Tais declarações são incompatíveis com o decoro exigido pelo mais alto cargo da República e representam um ataque frontal às instituições permanentes do Estado. Mais do que isso, constituem um desrespeito inaceitável aos milhares de policiais civis que, diariamente, dedicam e arriscam suas vidas para proteger a sociedade brasileira. Ao sugerir que o cidadão de bem deva evitar uma Delegacia de Polícia por desconfiança em relação aos seus profissionais, cria-se uma narrativa perigosa que enfraquece a credibilidade de órgãos essenciais para a investigação criminal, para a recuperação de bens e para a promoção da Justiça.
As Delegacias de Polícia são ambientes institucionais rigorosamente fiscalizados, submetidos ao ordenamento jurídico e preparados para atender a população com segurança, legalidade e transparência. É nelas que as vítimas encontram acolhimento, os crimes são investigados, as provas são produzidas com rigor técnico, as organizações criminosas são desarticuladas e os patrimônios subtraídos são recuperados e restituídos aos seus legítimos proprietários. Tratar as delegacias como espaços de medo é, no mínimo, um desserviço à segurança pública nacional.
No Estado do Rio de Janeiro, a Polícia Civil é protagonista incontestável no enfrentamento ao mercado ilegal de celulares. A Operação Rastreio, deflagrada pela instituição, consolidou-se como uma das mais importantes e eficazes ações de combate à receptação e de recuperação de aparelhos no país. Graças ao trabalho técnico, perseverante e altamente qualificado de seus policiais civis, mais de 13,3 mil celulares já foram recuperados no âmbito desta operação, devolvendo o patrimônio às vítimas, sufocando as finanças das cadeias criminosas e promovendo resultados concretos em benefício da população fluminense.
Esse número expressivo demonstra de forma inequívoca que a solução para o problema da criminalidade não está em desacreditar as instituições policiais com falas populistas, mas sim em fortalecê-las. É imperativo reconhecer o empenho daqueles que investigam, rastreiam, apreendem bens ilícitos e garantem a responsabilização dos criminosos perante a Justiça.
Os policiais civis brasileiros — investigadores, oficiais investigadores, escrivães, peritos, delegados e demais servidores — exercem funções imprescindíveis para a engrenagem do sistema de Justiça. São esses profissionais que enfrentam, nas ruas e nas investigações, as organizações criminosas mais perigosas do país; que elucidam homicídios; que combatem o tráfico de drogas; que investigam crimes contra crianças, mulheres e idosos; que reprimem delitos cibernéticos; e que produzem as provas indispensáveis para a condenação penal dos infratores.
O SINDPOL-RJ entende que toda iniciativa voltada à devolução de aparelhos celulares e ao combate à receptação é válida e merece apoio institucional. Contudo, tais políticas públicas devem obrigatoriamente caminhar lado a lado com a valorização estrutural e moral das Polícias Civis. Jamais devem ser promovidas à custa da disseminação de desconfiança infundada sobre aqueles que constituem a principal linha de frente na recuperação desses bens e na repressão às organizações criminosas que lucram com esses delitos.
Valorizar a Polícia Civil significa investir em inteligência, tecnologia, estrutura física, ampliação de efetivo e condições dignas de trabalho e remuneração para seus servidores. Significa reconhecer que não há combate eficiente ao crime sem investigação qualificada, nem proteção efetiva ao cidadão sem uma Polícia Civil forte, respeitada e devidamente prestigiada pelo próprio Estado.
Diante da gravidade do episódio, o SINDPOL-RJ reafirma sua absoluta confiança na honra, na competência técnica e no compromisso inabalável dos policiais civis do Estado do Rio de Janeiro e de todo o Brasil. Repudiamos categoricamente qualquer manifestação, venha de onde vier, que tente comprometer a imagem de uma instituição indispensável à democracia, à defesa da legalidade e à proteção da sociedade.
A Polícia Civil não é parte do problema; é parte fundamental da solução. Seus profissionais merecem respeito, reconhecimento e valorização por parte de todas as autoridades públicas, a começar pelo Presidente da República, e de toda a sociedade brasileira.
Rio de Janeiro, 15 de junho de 2026.
Diretoria Executiva do SINDPOL-RJ
Sindicato dos Policiais Civis do Estado do Rio de Janeiro